domingo, 2 de agosto de 2009

Travel Troubles IV (part I)

A nossa viagem a Paris (minha e do Gonçalo). Foi devido aos acontecimentos nesta viagem que posso escrever mais um capitulo da saga Travel Troubles, pois basta eu viajar para ter problemas e experienciar cenas surreais. Ás vezes pergunto-me se não serei como Jim Carrey no filme "The Truman Show" e que toda a minha vida é encenada, porque às vezes acontecem-me coisas que parecem demasiado surreais para acreditar que não aconteceram porque alguém sem nada para fazer se divertiu a planear um conjunto de situações que não ocorreriam normalmente. Se não percebem do que eu estou a falar, não se preocupem que vão entender tudo quando lerem as próximas linhas.

Tudo começou quando recebi em casa uma carta da revista Venca a dizer que tinha recebido uma viagem grátis a Paris de 4 dias e 3 noites. Uau, que sorte! É claro que se quisesse levar um acompanhante tinha que pagar. Pensei que a viagem considerando que era só para uma pessoa não era nada barato, mas como se dividia por dois iria compensar, para além que a Patrícia já tinha feito a viagem e tinha dito muito bem. A isto era adicionado o facto de como era uma agência não iria ter preocupações. Meu deus, como estava enganada.

Os problemas começaram muito antes do dia da partida, quando recebi um mail com os horários dos voos e vi que chegaria a Paris às 22h20 no que seria considerado o nosso primeiro dia. Esta informação era contrária à que me tinham fornecido no folheto. Foi nesta altura que os 4 dias se transformaram em 3 e me senti enganada pela primeira vez. Escrevi um mail a reclamar mas não sem antes verificar que a companhia envolvida, a Aigle Azur, tinha um voo que chegaria a Paris às 13h00. É claro que não obtive resposta da agência de viagens (avant viagens).

Considerando tudo isto, pode-se dizer que não ia muito bem disposta para o aeroporto. A minha fantástica viagem a Paris já não estava a ser tão fantástica e eu nem tinha chegado ao aeroporto. Cheguei mesmo a comentar com o Gonçalo: "Não parece nada que vamos para Paris hoje". Mas sabia eu o quanto estava certa.

Chegámos ao aeroporto e fomos até ao ponto de encontro. Fui verificar a informação do voo ao painel e achei estranho porque tinha uma nota que eu não conhecia. Não me lembro o que dizia mas perguntei ao empregado e ele disse-me que significava que não sabiam a que horas sairia o avião. Great! Mas pronto podia não ser nada. Ainda ninguém da agência tinha chegado, mas estavam mais pessoas ao nosso lado que iriam fazer a viagem, pelos menos não tínhamos sido enganados sozinhos. Fui levantar dinheiro e quando ia voltar para junto do Gonçalo voltei a ver o painel dos voos. Nesse momento fiquei em choque, de boca aberta parada no meio do aeroporto de Lisboa. O Gonçalo pensou que eu estive a brincar, foi ter comigo e foi quando leu no ecrã que o voo que estava marcado para as 19h00 tinha saída prevista para as 00h35... Sentimo-nos gelar. Chegaríamos a Paris por volta das 4 da manhã.

Foi nessa altura que chegou a senhora responsável da agência. Claramente ela não fazia ideia do que a esperava. A senhora era baixa, andava na casa dos sessenta anos e na minha opinião tinha cara de enfermeira, até as folhas que tinha tinham sido impressas na parte de trás de resultados de exames o que colabora com a minha teoria. Aparentemente, nós não éramos os únicos descontentes com aquela situação. A senhora fez a chamada, registou as presenças e aconselhou-nos a fazer o check-in. Depois disto toda a gente lhe “caiu em cima”. A senhora coitada nem sabia onde se enfiar, se bem que devo admitir que tinha uma enorme capacidade de engonanço e de falar sem dizer nada. Parecia que saída de um daqueles programas que dão às tantas da noite em que as apresentadoras pedem para os telespectadores ligarem, e enquanto isso não acontece debitam um monte de palavras sem nenhum significado em especial, que só serve para encher chouriços. A senhora só dizia, chegam a França e falam com quem lá está, o que ainda aumentava exponencialmente a sensação de que nos estavam a atirar areia para os olhos. Ela ainda disse: “Não se preocupem que vão poder fazer as excursões todas que estão planeadas.” Claro, considerando que são facultativas e é necessário pagar por elas!!

Fizemos o check-in e fomos informados que iríamos chegar ao aeroporto Charles de Gaulle em vez de Orly pois esse iria fechar. Após muita discussão e a garantia que teríamos alguém a nossa espera no aeroporto, uma senhora da companhia de viagens disse-nos que a esta iria oferecer o jantar, e que os passageiros iriam ser deslocados até um hotel onde jantariam e descansariam até a hora de voltar para o aeroporto. Esperámos e esperámos pelo autocarro, quando este finalmente chegou não havia lugares para toda a gente e foi necessário esperar que o autocarro levasse os passageiros para o hotel e voltasse. Como eu e o Gonçalo não somos deficientes, não temos crianças e não somos idosos ficámos à espera da segunda ronda.

Quando chegámos ao hotel jantámos e fomos informados que o transfer para o aeroporto seria efectuado à 1 da manhã, pois o voo seria às 3 e seria para Orly. Aparentemente a companhia já sabia pois a informação inicial que o hotel tinha era dar-nos jantar e quarto até receberem mais informações. Uma senhora que ia na excursão ligou para a pessoa que nos iria esperar em Paris (Daniela) e disse-lhe que íamos mais tarde e para Orly, o que ela não acreditou e disse que não era essa a informação que tinha. A outra senhora “enfermeira” evaporou-se e desde que ela partiu no 1º autocarro nunca mais a vi. Entretanto fizemos check-in no hotel Sana em Lisboa até à uma da manhã. Devo dizer que o quarto era muito bom, mas tinha vista para as traseiras do Hospital Santa Maria. Ficámos a ver televisão pois não tínhamos tempo para dormir pois ficaríamos piores, e à hora prevista fomos apanhar o voo. O avião partiu com destino a Orly às 3h00 da manhã, altura pela qual não tínhamos dormido nada. Chegámos por volta das 6h30 ao destino e aquele tempo no avião foi o único em que conseguimos dormir. Foi nesta altura que perdemos a nossa primeira noite em Paris. Já ia em 3 dias e 3 noites, sendo que o último dia como tínhamos que estar no aeroporto às 15h00 seria só uma manhã.

Quando chegámos a Paris ligámos para a pessoa que devia estar a nossa espera a tal Daniela, ao que ela nos informou que estava em Charles de Gaulle desde as três da manhã porque ninguém da companhia aérea lhe tinha avisado. Pois se uma senhora a avisou quando estávamos ainda em Lisboa, ela estava mesmo à espera que alguém lhe ligasse? Ela não sabe ver a lista dos voos no aeroporto? Não perguntava? Meu deus, que parvoíce… Enfim, ela chega uma hora depois toda contente e começam logo a cascar nela. Ela aconselha irmos para o hotel e falar lá, e vira-se para mim e o Gonçalo com ar de “esta gente é mesmo parva”. O que ela não contava era que a opinião fosse geral. Ninguém estava contente. Fomos para o hotel e fomos informados que excursão daquele dia seria de borla para nós de forma a “compensar-nos” ou melhor “calar-nos”.

Chegámos ao hotel, deram-nos as chaves dos quartos e subimos. Ao entrarmos no quarto a decepção aumentou exponencialmente. O hotel era muito mauzinho, a limpeza não era o que mais lá havia, o roupeiro era um conjunto de quatro tábuas, a casa de banho cheirava mal, a tampa da sanita estava solta e o lavatório parecia que tinha sido esfaqueado. Estava habitável, mas no entanto não me atrevia a andar descalça naquele chão. Estava uma toalha caída atrás de uma mesinha que lá estava e lá ficou até nos virmos embora. Quem sabe se ainda não lá está. O Gonçalo só dizia que aquilo era um pesadelo e deveria acordar a qualquer momento. (tenho uma foto com a reacção dele lol). Ao descermos para o pequeno-almoço descobrimos que várias pessoas tiveram que trocar de quarto pois os deles não estavam limpos, havia um que inclusive tinha papeis espalhados pelo chão.

Quando chegámos ao pequeno-almoço havia tabuleiros na mesa, um por pessoa, com um pão e um crossaint. Se uma pessoa quisesse mais pão podia comer, mas não havia mais croissants. As hipóteses eram leite, café e sumo. Havia também cacau em pó e cereais e manteiga e doce. Não havia queijo, nem fiambre, nem fruta nem nada semelhante. De realçar que o pão estava rijo, pois tal como viemos a constatar mais tarde, o pão era comprado fresco para o jantar mas depois punham a mesa do pequeno-almoço após o jantar e o pão ficava lá a noite toda, pelo que de manhã estava super rijo.

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