Finalmente, ao fim de 27 anos, li o feiticeiro de Oz. Posso riscar mais um ponto da minha lista de coisas a fazer antes de morrer. Sei que é uma coisinha insignificante, mas consigo finalmente compreender as piadas e referências a esta história tão conhecida.
Claramente é uma história para crianças, pela forma como está escrita (apesar de ser um pouco sangrenta) e pela forma de pensar nas personagens, e como tantas outras tem uma lição de moral. Provavelmente, a minha interpretação da história não é igual à de outras pessoas e como tal a moral que identifiquei também não. Mas antes de falarmos nisso falemos um pouco da história (atenção: contém spoilers).
A personagem principal é a Dorothy, uma menina que vive no Kansas com os tios e o cãozinho totó, após a morte dos pais. Um dia, vem um tornado e a Dorothy, por tentar salvar totó, não consegue entrar a tempo no esconderijo. A casa levanta voo e quando aterra a menina encontra-se numa terra desconhecida onde a realidade é bastante diferente do que ela conhece. As pessoas na rua encontram-se a festejar. Aparentemente a casa caiu em cima da Bruxa má do Este e livrou o povo da sua tirania. Em forma de agradecimento a Bruxa boa do Norte diz-lhe para ficar com os sapatos prateados (só passaram a ser feitos de rubi no filme) da bruxa morta e como protecção dá-lhe um beijo na face que a marca. A menina apenas deseja voltar para casa. A bruxa boa não a sabe ajudar, no entanto, diz-lhe que o poderoso Feiticeiro de Oz, saberá o que fazer. Para o encontrar a menina precisa seguir o caminho dos tijolos amarelos.
Dorothy encontra-se na Terra de Oz que se divide nos reinos do Norte e Sul governados por bruxas boas, reinos do Este e Oeste governados por bruxas más, tendo uma sido morta pela sua chegada, e no centro encontra-se Cidade das Esmeraldas, governado por Oz. Cada reino tem uma cor e um povo característico.
Durante a sua demanda Dorothy encontra várias personagens que se juntam a ela para pedir também um desejo ao feiticeiro de Oz. Um espantalho que anseia por um cérebro, um homem feito de lata que quer ter um coração e um leão medroso que deseja coragem. A história de como o homem se transformou no homem de lata é bastante macabra. Resumindo, ele era um lenhador normal que se apaixonou por uma rapariga que vivia com uma senhora idosa. Essa senhora não queria perder a sua criada e pediu ajuda à bruxa que enfeitiçou o machado do lenhador. O machado começou por cortar uma perna, depois a outra, depois um braço e o outro braço e o lenhador foi pedindo ao funileiro para lhe substituir as partes do corpo por partes de lata, até que já não havia partes do corpo de carne.
Após várias peripécias e várias animais mortos à machadada e afins, os quatro heróis chegam até Oz que lhes diz que apenas os ajuda se matarem a Bruxa má do Oeste. Após mais uns quantos massacres, a Bruxa má consegue capturá-los e escravizá-los, mas quando tenta roubar os sapatos a Dorothy esta manda-lhe água para cima e a bruxa derrete. Quando chegam à Cidade Esmeralda descobrem que o feiticeiro de Oz não passa de um charlatão sem poderes, mas que consegue convencer o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão que resolveu os seus problemas. Dorothy precisa ainda de visitar a Bruxa boa do Sul para descobrir que a chave para ir para casa encontrou-se sempre nos seus pés, e que apenas precisa de bater três vezes com os calcanhares e pensar para onde deseja ir, e assim consegue o tão desejado regresso a casa.
De realçar que com a excepção da menina, todos os restantes já tinham o que procuravam. O Espantalho tinha sempre as melhores ideias, o homem de lata era muito sensível e tinha muito cuidado com todos os animais (segundo ele porque não tinha coração, porque quando tivesse não tinha que se preocupar mais) e o leão mais do que uma vez arriscou a sua vida para salvar os amigos. O que nos remete à questão da lição de moral. Para mim, é que muitas vezes passamos muito tempo a procurar por algo que já temos, e só nos apercebemos quando alguém nos faz ver. O feiticeiro na verdade não lhes deu nada, só os fez acreditar que sim. O poder da mente. É como as pulseiras do equilíbrio que não fazem nada mas que muita gente acredita que sim, e só por acreditarem já se sentem melhor, e a pulseira “faz efeito”.
As coisas tornam-se reais quando acreditamos nelas….

2 comentários:
Eu acredito que vou ganhar o Euromilhões (mas acredito mesmo!) e até agora não vi nada...
Nota: O cão é totó = maluco ou Totó? Ahaha!
É claramente maluco. :P
Tens que acreditar com mais força :P
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