Bom, vou ver se é desta que acabo de escrever a nossa aventura em Paris e se me lembro de todos os pormenores.
Ia no primeiro dia. Pois bem, no primeiro dia fomos na excursão, em que o autocarro ia cheio (ainda bem que duas senhoras e uma menina ficaram a dormir porque senão também não tinham lugar e era mais uma barraca). O dia correu bem, e como estávamos mortos, andar de autocarro soube bastante bem. Visitámos o Sacré-Coeur e o bairro dos poetas de manhã e almoçámos num restaurante em que o almoço estava incluído menos as bebidas (uma cola custava 5 euros). Durante a tarde demos uma volta por paris e passeamos na zona da Ópera.
No fim do dia, mas ainda de dia, a guia estava cheia de pressa para nos ir pôr no passeio de Bateaux Mouche (passeio de barco no Sena que também estava incluído) porque segundo ela, nós estávamos todos muito cansados (ou seja, ela estava cansada), então deu-nos os bilhetes e não quis mais saber. Nós quando nos estávamos a aproximar da entrada do barco vimos que este estava cheio então ficámos para trás com mais pessoas do grupo e fomos no seguinte. Escusado será dizer que quando voltámos a senhora guia espumava da boca porque teve meia hora à nossa espera (temos pena).
No pacote estavam incluídos os jantares no hotel, e que belos jantares… Deram-nos puré com salsicha (sim, só uma), que tinha muito mau aspecto e não tinha melhor sabor. Ainda consegui comer alguma coisa, mas muitos nem conseguiram tocar. Como havia tantas reclamações o rapaz que andava a servir já andava irritado e umas das vezes em que ia a caminho da cozinha, falhou e foi contra a porta. Decidimos juntamente com um pequeno grupo de pessoas ir jantar a outro local. O problema era… aquele “fantástico” hotel era no meio de nenhures! Então, alguém se lembrou que tinha visto um Mac Donalds quando íamos no autocarro. Não se sabia bem onde, mas havia uma pequena ideia da direcção a tomar.
Então partimos à busca do Mac Donald’s perdido… Depois de muito caminharmosencontrámos finalmente o nosso destino. E como estava tudo a correr tão bem, descobrimos que tinha acabado de fechar e só tinha o Mac Drive a funcionar… Tivemos então que fazer o pedido pelo Mac Drive tal qual como se estivéssemos dentro de um carro. Quando chegou a altura de pedir só queria “o maior hambúrguer que tivessem”; estava esganadissima. Acabámos a comer sentados no chão do parque de estacionamento. Posso dizer que nunca um hambúrguer me soube tão bem… Ao chegar ao hotel reparámos que as mesas estavam postas para o pequeno-almoço com o pão, o que explica porque é que ele estava tão rijo de manhã... Antes, nessa noite, tentaram que comprássemos o resto das excursões que eram super caras, ao que resolvemos ir por nossa conta juntamente com um casal que estava connosco.
No segundo dia, levantamo-nos, tomamos o nosso "fantástico" pequeno-almoço e lá fomos nós até ao comboio/metro (é um pouco difícil distinguir por isso vou referir-me apenas como metro). Pedimos “boleia” ao transfer do hotel que amavelmente nos levou até à estação, até o rapaz que ia connosco ter percebido que tinha deixado a carteira no hotel e termos que voltar para trás. Nesse momento a amabilidade começou a desvanecer. A carteira desse rapaz estava amaldiçoada porque ele acabou mesmo por perde-la… Mas continuando… Chegámos à estação e comprámos bilhetes, mas não eram os bilhetes que queríamos porque só davam para fins-de-semana e feriados. Como não tínhamos mais moedas dirigimo-nos ao guichet e tentei no meu francês arranhado (o sr. não falava inglês) trocar os bilhetes. Não fui bem sucedida e tive que pagar mais dois bilhetes…Claro…
Finalmente chegámos a Paris. Começámos por visitar Notre-Dame e logo a seguir, quando íamos entrar num palácio lá perto, o tal rapaz percebeu que já não tinha a carteira… Separámo-nos então pois eles tinham que ir à embaixada. Ligaram para a nossa adorada guia a perguntar onde era, ao que ela respondeu: “Não sei não. Vai a um ciber-café e procura na internet” : Enfim… seguimos então caminhos separados. Não me lembro bem a ordem com que fizemos as visitas, mas conseguimos ver grande parte dos monumentos junto ao rio. Tivemos perto da torre Eiffel mas estava uma fila tão grande que não chegámos a subir até à meia-noite. Para mim foi uma experiência nova pois nunca tinha estado na torre de noite, no entanto não foi das mais agradáveis. O terceiro piso estava encerrado o que supomos ser devido ao vento que estava, pois mesmo no segundo íamos sendo levados. Estava cheia de medo e os meus joelhos só tremiam, mas pronto, eu sou uma mariquinhas. Descemos mesmo quando estava a fechar. Ao voltar ao hotel apercebemo-nos de algum reboliço na recepção. Aparentemente uma senhora tinha caído no autocarro (aquele que se pagava para ir com a guia super simpática...). A senhora tinha muitas dores e queria ir ao hospital, mas em França é preciso estar a morrer para aparecer a ambulância, principalmente se for um estrangeiro. Então o sr. do hotel, que ligou para o "112" ia fazendo o diagnóstico pelo telefone. Ia tocando na senhora (com todo o respeito) e perguntando meio em francês meio em inglês, "dói aqui?" "e aqui?". De realçar que a senhora só falava português, então estava eu, o Gonçalo e outra senhora a tentar fazer de intérpretes. Perguntam e muito bem, porque não foram falar com a guia? Foram, mas a fantástica guia disse que estava muito cansada, tinha que dormir porque trabalhava no dia seguinte e que não tinha nada a ver com o assunto. Entretanto fomos para o quarto (aquele quarto incrível... :) e ainda vimos a ambulância chegar e a senhora ir (sozinha) para o hospital.
No último dia estávamos tão destruídos que não conseguimos ir a lado nenhum. Dormimos a manhã inteira e fomos directos para o aeroporto. Estas férias foram a prova de que o barato sai caro... Mas pelo menos ficámos com uma história surreal para contar.

1 comentário:
Bem, e eu a pensar que as coisas me correm mal... Mas olhe, minha cara amiga, não é só em França que se tem que estar a morrer para a ambulância aparecer. No nosso querido Portugal, quando tive o azar de desmaiar para dentro da banheira (e nunca tal me tinha acontecido), o senhor do 112 teve a lata de dizer ao meu pai quer era normal as raparigas desmaiarem e recusou-se a mandar uma ambulância. Resultado, tive que ir de taxi para o hospital. Portanto, em Portugal não tem que se estar a morrer, tem mesmo já que se estar morto!
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